O Conselho de Sentença da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital condenou três homens pelo assassinato de duas pessoas e pela tentativa de homicídio contra uma mulher grávida no bairro da Joana Bezerra, na área central do Recife. O crime violento ocorreu no dia 7 de maio de 2020. Acolhendo integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a Justiça sentenciou Ricardo Silva de Souza Filho, apontado pelas investigações como o mandante do duplo homicídio, a uma pena de 48 anos, 2 meses e 22 dias de reclusão. Por sua vez, os corréus Sergio Everton de Almeida Silva e Diego Nascimento de Moura, identificados como os autores materiais dos disparos de arma de fogo, receberam a pena de 42 anos, 10 meses e 14 dias de prisão.
Os três envolvidos foram responsabilizados juridicamente pela prática de dois homicídios qualificados consumados e um homicídio qualificado tentado. Segundo os detalhes fornecidos pelo promotor de Justiça Marcel Corrêa, que atuou diretamente na acusação durante o julgamento em plenário, o grupo criminoso foi mobilizado por Ricardo Silva de Souza Filho com o objetivo específico de eliminar um dos homens devido a uma dívida relacionada ao tráfico de drogas, o que sustentou a qualificadora de motivo torpe para os assassinatos cometidos na comunidade.
Antes da execução, o alvo principal da investida já vinha recebendo constantes ameaças de morte por meio de vídeos gravados pelos criminosos. No dia do episódio, a vítima foi atraída para uma emboscada no momento em que deixava a residência de sua mãe acompanhado da esposa, que estava grávida de seis meses. O casal se preparava para embarcar em um veículo acionado por aplicativo de transporte urbano com o intuito de retornar para casa, quando os executores interceptaram o automóvel e efetuaram múltiplos disparos de arma de fogo de forma contínua.
O ataque resultou na morte imediata do alvo principal e também tirou a vida do motorista de aplicativo, que acabou atingido no exercício de seu trabalho diário. A mulher grávida também foi alvejada pelos projéteis, mas conseguiu sobreviver aos ferimentos após receber assistência médica especializada. O modo como a ação criminosa foi coordenada, ocorrendo de surpresa e em plena via pública, levou o Ministério Público a apontar outras duas qualificadoras penais: o uso de meio que resultou em perigo comum, visto que os disparos foram feitos em uma área de grande circulação, e o emprego de recurso que impossibilitou totalmente a defesa das vítimas. Todas as teses de acusação sustentadas pelo MPPE foram acatadas pelo corpo de jurados, culminando nas pesadas penas aplicadas aos réus.
































