Após um hiato de mais de 11 anos sem o rastreamento contínuo de tubarões no litoral pernambucano, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) iniciará, até o mês de julho, um novo programa de monitoramento das espécies que circulam pela costa do estado. A retomada das pesquisas de campo ocorre em um momento de extrema urgência e comoção pública, logo após o registro de dois incidentes graves envolvendo tubarões em um intervalo de pouco mais de 24 horas na Região Metropolitana do Recife.
No último domingo (31), um menino de 11 anos sofreu uma mordida na Praia de Piedade, no município de Jaboatão dos Guararapes, o que resultou na amputação de sua perna esquerda. No dia seguinte, segunda-feira (1º), uma jovem de 19 anos foi atacada por um tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e também precisou passar por procedimentos cirúrgicos de emergência. Ambas as vítimas seguem sob cuidados médicos intensivos no Hospital da Restauração (HR), na área central da capital.
Diante desse cenário crítico, o Governo de Pernambuco viabilizou o retorno do programa científico. O projeto foi selecionado na 19ª rodada do edital Ciência no Governo, por meio do Programa Cientista Arretado, e receberá um investimento financeiro superior a 1 milhão de reais ao longo dos próximos 24 meses. A meta principal dos pesquisadores é mapear e compreender os padrões de deslocamento, as rotas migratórias e o comportamento das espécies que frequentam a costa do estado, gerando dados robustos que possam subsidiar a formulação de novas políticas públicas de prevenção.
Históricamente, Pernambuco contabiliza notificações de incidentes com tubarões desde o início da década de 1990, com a grande maioria dos casos concentrada na Região Metropolitana do Recife, monitorada de perto pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). Atualmente, as atividades de monitoramento permanente estavam restritas ao Arquipélago de Fernando de Noronha. Com o novo aporte, as ações serão estendidas para o litoral continental, concentrando o foco prioritário em um trecho de aproximadamente 33 quilômetros que se estende de Olinda até o Cabo de Santo Agostinho, faixa litorânea considerada a mais sensível para a ocorrência desses encontros no estado.
































